Num contexto de nova evangelização, ou de proposta
continuamente renovada da comunhão com Deus, urge recolocar Deus no centro das
perguntas do nosso existir e deixar que seja Ele a resposta, e não dar respostas
d’Ele. É próprio Concílio Vaticano II alerta os crentes que «[os cristão] pela
negligência da sua fé, ou pelas deficiências da sua vida religiosa, moral e
social, esconderam, mais do que revelaram, o autêntico rosto de Deus» (GS 19).
Assim, num mundo plural e em permanente mudança, urge a necessidade de uma nova
refontalização da pedagogia da fé, ou seja, uma pedagogia que eduque de forma
personalizada e que respeite e preserve a originalidade e individualidade de
cada pessoa, bem como as suas dúvidas e as suas aspirações.
Ao longo de toda a História da Salvação, no Antigo
Testamento e principalmente nos Evangelhos, Deus serviu-se de uma pedagogia,
através da qual se ia dando a conhecer. Com efeito, Deus procurou falar à
humanidade, como amigos, revelando o Seu amor gratuito e incondicional. Deus
apresenta-se como nosso Pai, aceita cada um de nós tal como somos e respeita,
com benevolência, o nosso ritmo de crescimento na fé. Deus é um verdadeiro
Mestre, um Educador que educa a partir de situações reais, e extraindo delas
lições de sabedoria.

A revelação que Deus foi fazendo de Si mesmo à humanidade
atinge a sua plenitude em Jesus Cristo, Seu Filho, que continuou a “Pedagogia
de Deus” com a perfeição e a eficácia próprias da novidade da Sua pessoa (DGC
140). Tal como Deus, o ensino e a vida de Jesus são pautados pelo amor
dedicado, sincero e gratuito. A vida e a mensagem de Jesus são um desafio
constante à conversão, à vivência do mandamento novo da caridade! É um convite
permanente a uma nova forma de pensar, de amar, de agir e de viver — é um novo
estilo de vida —, procurando suscitar em cada pessoa uma resposta livre, para
que este adira livremente ao Evangelho. A pedagogia de Jesus convida cada
pessoa a uma forma de viver marcada pela fé em Deus, pela esperança do Reino e
pela caridade para com o próximo (DGC 140). No anúncio da Boa Nova, Jesus
procura seguir uma pedagogia pautada pela atenção e pelo respeito às pessoas;
pela escuta e pelo diálogo, aproximando-se das pessoas, dando o primeiro passo
e oferecendo-lhes a sua amizade; pela confiança nas pessoas e pela gratidão,
procurando sempre desviar a atenção e o entusiasmo das pessoas para com a sua
pessoa. Jesus não procura centrar as atenções em Si, mas no Reino e em Deus
Pai! Jesus procura anunciar os mistérios de Deus partindo sempre das
experiências reais das pessoas e utilizando uma linguagem simples e
significativa.

Eis aqui uma série de atitudes pedagógicas de Jesus que
devem inspirar a catequese. Com efeito, «a catequese, sendo comunicação da
revelação divina, inspira-se radicalmente na pedagogia de Deus […], acolhe os
parâmetros constitutivos e, guiada pelo Espírito Santo, faz uma sábia síntese
da mesma, favorecendo, assim, uma verdadeira experiência de fé, um encontro
filial com Deus» (DGC 143). Ainda a este respeito, na sua Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, também João Paulo
II refere que «o próprio Deus serviu-se de uma pedagogia que deve continuar a
ser modelo da pedagogia da fé» (CT 58).
A pedagogia catequética deve, então, ser:
- uma pedagogia que coloque os catequizandos em diálogo
com Deus, numa relação interpessoal;
- uma pedagogia que respeite a progressividade da
revelação divina e a dimensão misteriosa da Palavra de Deus;
- uma pedagogia que reconheça a pessoa de Jesus Cristo
como centro da vida humana, razão pela qual o Evangelho deve ser proposta para
e na vida das pessoas;
- uma pedagogia que valorize a vivência da fé nas
comunidades cristãs;
- uma pedagogia de sinais, para que Palavra de Deus se
transmita por meio de palavras e ações;
- e, por fim, mas não no fim, uma pedagogia que deixe
espaço à ação do Espírito Santo, pois é dele que a catequese recebe a força e
empenho para dar continuidade à revelação da ação de Deus no coração de cada
pessoa.
«Graças ao dom do Espírito Santo enviado por Cristo, o
discípulo cresce como o seu Mestre “em sabedoria, em estatura e em graça diante
dos homens”» (DGC 142).