«Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que a sua sociedade está condenada» (Ayn Rand, filósofa russo-americana: judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na segunda metade da década de 1920)
«As ciências progridem na medida em que adquirem novas verdades, como fruto da criatividade reflexiva de fundamentação ou investigação de causas. Não basta pois 'vulgarizar' o que outros encontraram; exige-se uma contribuição pessoal que traga qualquer coisa de 'novo': factos, ideias, hipóteses, argumentos, conclusões»(P.e Júlio Fragata SJ). [Um blogue sobre Teologia Prática, Catequética, b-Learning e o que for surgindo...]
Mostrar mensagens com a etiqueta divulgação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta divulgação. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
S. João Bosco, visto por um Salesiano
Neste dia 31 de janeiro, dia litúrgico de S. João Bosco, 124 anos após a sua morte, quero fazer um convite aos meus amigos que se interessam por pastoral juvenil: ler as “Memórias do Oratório”, de S. João Bosco.
Dom Bosco escreveu muito, sobre muitas coisas. Mas escreveu pouco sobre si mesmo. Ao contrário de alguns santos com uma extraordinária capacidade de pôr em palavras o seu mundo interior, D. Bosco era muito reservado e não era nada dado a disclosures. Por isso, este texto, em que D. Bosco narra a sua própria história torna-se um documento raro e precioso.
Nestas “Memórias”, D. Bosco narra a sua história e a história da sua obra, de 1815 (ano em que nasceu) até 1855. Escritas com arte, com ritmo, é um texto que se devora rapidamente. Mas mais do que fazer uma biografia, Dom Bosco quer apresentar um projecto de pastoral juvenil. Narrando as suas vivências como jovem e como sacerdote que exerce o seu ministério no âmbito da pastoral juvenil, Dom Bosco encontra uma maneira ágil e atraente de sintetizar a sua proposta pastoral.
D. Bosco acaba por escrever este relato por pressão do Papa Pio IX. Mas também porque sente que estas “Memórias” poderão ser úteis para aqueles que se juntaram a ele na paixão educativa e evangelizadora (ou seja, para nós também).
Para os conhecedores de Dom Bosco é texto é interessantíssimo. Mas julgo que para todos aqueles que querem anunciar o Evangelho da vida aos jovens do século XXI, este texto, escrito no século XIX, pode ser bastante estimulante.
A edição que agora saiu foi preparada por Aldo Giraudo, um dos maiores especialistas sobre vivos sobre Dom Bosco. A ampla introdução ajuda-nos a compreender melhor o género literário da obra; as notas generosas ajudam-nos a conhecer o mundo político, social, eclesial, ideológico onde decorre a acção.
Contextos
Apesar da distância que nos separa da Turim da primeira metade do século XIX, há muitas semelhanças no contexto.
Temos uma juventude em mutação acelerada e em situação de emergência educativa. No século XIX era o impacto da industrialização e da urbanização. Hoje é o choque com a cultura pós-moderna.
E temos também uma Igreja sem grandes respostas. Hoje como ontem, sentimos em Igreja que temos no Evangelho a resposta que pode devolver vida, beleza e sentido à vida dos jovens. Mas sentimos também que não encontrámos ainda as mediações necessárias e suficientes que façam a ponte entre o Evangelho e os jovens.
As respostas
Ao ler as “Memórias do Oratório” é possível encontrar várias respostas aos desafios pastorais que foram válidos na vida de Dom Bosco e que são válidos hoje também.
O sentido vocacional do educador-evangelizador. Ser educador-evangelizador (para Dom Bosco a evangelização faz-se com a educação) não é um emprego, não é um acidente de carreira. Nem sequer é uma escolha pessoal. Cada um de nós está neste lugar eclesial por chamamento de Deus. Isso gera um sentido de grande responsabilidade. Mas também uma serenidade interior muito grande. Nesta aventura de evangelizar os jovens, não somos nós os protagonistas. O papel principal é de Deus. Foi Ele que nos chamou. É Ele que nos guia, que nos inspira, que nos dá coragem.
A compaixão. Hoje como ontem a maneira como olhamos para o mundo dos jovens não é neutro. Olhamos com o mesmo olhar de Deus. Não somos burocratas que de dedicam a fazer análises da realidade, com os mais modernos instrumentos estatísticos. Somos pais e mães apaixonados que sentem como suas as dores do mundo juvenil. Somos homens e mulheres de fé que se deixaram contagiar pela vontade de vida abundante que Deus tem.
Não se deixar prender pela inércia eclesial. No tempo de D. Bosco, a rápida urbanização, os fluxos migratórios, a explosão de ideias, não pediu licença às estruturas eclesiais existentes. E D. Bosco soube encontrar soluções criativas e inovadoras para levar o Evangelho aos jovens. Hoje também nós temos a dificuldade de estar numa Igreja que pena em encontrar novos lugares e novos ritmos para evangelizar os jovens. As “memórias” ajudam-nos a ver como D. Bosco articula continuidade e inovação, sentido eclesial coragem criativa.
Humildade. A humildade corre o risco de ser uma daquelas virtudes típicas do “antigamente” mas que hoje, em tempos obcecados com a auto-realização individualista pouco crédito tem. D. Bosco realça, no seu percurso o papel da humildade. Longe de nós imaginá-lo como um quietista espiritual ou como alguém submisso ao peso das instituições ou das situações. D. Bosco insiste na humildade como a atitude que permite a descentração. “Ser humilde” é liberdade interior, não se prender consigo mesmo. É esta humildade que permite a criatividade, que permite desenvolver movas respostas. Sem perder tempo a ponderar o impacto que essas “aventuras” terão no bem-estar pessoal.
A santidade é possível. Contra os restos de jansenismo que ainda havia no seu tempo, contra o desânimo que dizia nada ser possível fazer desta juventude, D. Bosco acredita que a santidade, uma vivência da fé de alta qualidade, é possível. É urgente, na pastoral juvenil de hoje, recuperar esta convicção. Não apenas como declaração de princípio. Há que observar como se pode ajudar os jovens a operacionalizar essa santidade. Nas “Memórias”, D. Bosco recorda todos aqueles que o ajudaram a crescer em santidade e explicita os processos espirituais e pedagógicos que ajudarão os jovens rumo à santidade.
Itinerários que fazem crescer. Nas “Memórias” recordamos algo que a experiência confirma de mil maneiras: precisamos de itinerários de fé que façam efectivamente crescer. D. Bosco não usa a expressão “itinerários de fé”. Mas a intuição está lá.
Empowerement. Quando Joãozinho Bosco relata à família o sonho que teve aos nove anos (que de algum modo antecipa-sintetiza todo o seu percurso de vida) a avó, com sensatez e realismo, diz que não se deve dar crédito aos sonhos. Mas a vida de D. Bosco foi toda ela uma luta contra o realismo imobilista. Ele sentia que as constrições da realidade não deveriam ter a última palavra. D. Bosco desconhecia a expressão “empowerement” (duvido que soubesse inglês) mas era um grande adepto da realidade. Na sua vida pessoal e na sua estratégia de “gestão” dos jovens e dos colaboradores. D. Bosco ensina-nos que a fragilidade dos recursos pode ser contrariada cultivando a formação pessoal, melhorando as competências.
Finalmente…
Já escrevi muito e ainda fica muito por dizer a respeito dos méritos deste livro. Insisto no convite: ganha tempo a recuperar esta memória de um grande santo. P.e Rui Alberto, SDB
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
História do sr.jota
1
O sr.jota sempre foi um senhor de amor e amores.
Amar era o seu caminho, os amores as suas paragens.
Vivia para amar e amou muito, vezes sem conta e modo.
Gostava de amar e sempre que amava de maneira diferente, o seu amor ganhava um nome.
Não o nome da amada mas o nome da forma, da forma como e porquê amava...
Ao amor assolapado e imediato no qual dizia "vem rápido" chamou urgente.
Aquele amor que pedia para ficar e encostar apelidou de prioritário.
Ao outro, feito de admiração que aguentava a distância e de quando em vez o flirt dedicou-lhe a palavra platónico.
Ao amor que perdurava mesmo sem lugar ou tempo chamou independente...
Aquele que chegou e foi, nomeou-o de fugaz e àquele que idealizava nos seus sonhos, chamou isso mesmo: ideal.
E a todos os outros seus amores chamou um nome, um nome que os tornou ainda mais únicos e especiais.
De tal forma que, ainda hoje, o sr.jota trata-os pelos nomes... E nos seus nomes, reencontra o rosto das suas amadas.
O sr.jota foi feito para amar e ergueu-se amando.
Mas, no meio de tanto, sorriu quando se interrogou: alguma vez terá sido amado?...
Esperançado, retrocedeu no seu caminho, a correr loucamente à procura da alegria perdida de ser amado.
Ainda hoje não parou...
Amar era o seu caminho, os amores as suas paragens.
Vivia para amar e amou muito, vezes sem conta e modo.
Gostava de amar e sempre que amava de maneira diferente, o seu amor ganhava um nome.
Não o nome da amada mas o nome da forma, da forma como e porquê amava...
Ao amor assolapado e imediato no qual dizia "vem rápido" chamou urgente.
Aquele amor que pedia para ficar e encostar apelidou de prioritário.
Ao outro, feito de admiração que aguentava a distância e de quando em vez o flirt dedicou-lhe a palavra platónico.
Ao amor que perdurava mesmo sem lugar ou tempo chamou independente...
Aquele que chegou e foi, nomeou-o de fugaz e àquele que idealizava nos seus sonhos, chamou isso mesmo: ideal.
E a todos os outros seus amores chamou um nome, um nome que os tornou ainda mais únicos e especiais.
De tal forma que, ainda hoje, o sr.jota trata-os pelos nomes... E nos seus nomes, reencontra o rosto das suas amadas.
O sr.jota foi feito para amar e ergueu-se amando.
Mas, no meio de tanto, sorriu quando se interrogou: alguma vez terá sido amado?...
Esperançado, retrocedeu no seu caminho, a correr loucamente à procura da alegria perdida de ser amado.
Ainda hoje não parou...
2
E correu, correu muito e loucamente.
Por montes e vales, cidades e aldeias, reencontrando as suas amadas, nunca se reencontrando.
A sofreguidão do regresso ofuscava o alento para discernir.
Continuou a correr, cada vez mais e com menos forças.
Até que parou.
Num pequeno banco perdido na sombra da árvore, repousou.
Fechou os olhos para mais tarde reabrir fruto de um raio de sol intenso.
Ergueu-se e percebeu: de tanto andar tinha regressado ao lugar donde tinha partido.
E sem saber se era o fim da sua corrida ou o princípio de um novo caminho, voltou a fechar os olhos.
E a sorrir para o raio de sol que o aquecia.
Por montes e vales, cidades e aldeias, reencontrando as suas amadas, nunca se reencontrando.
A sofreguidão do regresso ofuscava o alento para discernir.
Continuou a correr, cada vez mais e com menos forças.
Até que parou.
Num pequeno banco perdido na sombra da árvore, repousou.
Fechou os olhos para mais tarde reabrir fruto de um raio de sol intenso.
Ergueu-se e percebeu: de tanto andar tinha regressado ao lugar donde tinha partido.
E sem saber se era o fim da sua corrida ou o princípio de um novo caminho, voltou a fechar os olhos.
E a sorrir para o raio de sol que o aquecia.
3
Enebriado pelo calor do raio de sol, reabriu os olhos tempo longo mais tarde.
Observou ao seu redor como um forasteiro chegado à cidade nova.
Tudo parecia novo, estranhamente novo, mesmo aquilo que tratava pelo nome.
Afinal reconhecia não conhecer o lugar de onde tinha partido.
E como o forasteiro na cidade nova, vagueou, deambulou à procura não sabe do quê, porquê e para quê.
Não buscava comida nem guarida, tão pouco companhia.
Apenas errava pela cidade... Até voltar ao banco perdido na sombra da árvore.
E naquele momento percebeu que tinha chegado a hora. De recomeçar.
4
Recomeçar experimentando uma certeza: tudo é impossível, nada é possível.
Invadia-o contradição acesa: sabia que não podia ficar, tinha que partir. Simplesmente a vontade não acompanhava a obrigação.
Por isso, foi ficando até não mais resistir.
Não se vive parado, tão pouco se sobrevive.
Vive-se caminhando, sobrevive-se por conta e risco.
E tendo-se muito em conta mas receio dos riscos que recomeçar acarreta...partiu!
Procurou firmeza no passo, não experimentou olhar para trás.
O tempo que passa serve para ensinar e não para chorar.
Invadia-o contradição acesa: sabia que não podia ficar, tinha que partir. Simplesmente a vontade não acompanhava a obrigação.
Por isso, foi ficando até não mais resistir.
Não se vive parado, tão pouco se sobrevive.
Vive-se caminhando, sobrevive-se por conta e risco.
E tendo-se muito em conta mas receio dos riscos que recomeçar acarreta...partiu!
Procurou firmeza no passo, não experimentou olhar para trás.
O tempo que passa serve para ensinar e não para chorar.
5
Partiu julgando-se livre do passado, livre para o futuro.
Esqueceu-se que o futuro não se ergue sem História, que a memória não se apaga por vontade.
E ao caminhar, cedo percebeu que tudo conhecia, tudo nomeava.
Apenas uma diferença: o sentimento divergia do conhecimento.
E os lugares, as pessoas foram-se renovando aos seus olhos, no seu coração...
Esqueceu-se que o futuro não se ergue sem História, que a memória não se apaga por vontade.
E ao caminhar, cedo percebeu que tudo conhecia, tudo nomeava.
Apenas uma diferença: o sentimento divergia do conhecimento.
E os lugares, as pessoas foram-se renovando aos seus olhos, no seu coração...
6
Do lugar onde nasceu viu apenas uma cidade.
Sem afecto e estórias.
Da família herdada encontro-a pequena.
Sem a família escolhida, os amigos.
Do trabalho entendo-o como obrigação.
Algo que se faz sem sorriso.
E de tudo concluiu que o conhecimento renova-se, a memória também.
Logo perguntou: porquê tudo aparentar sem sentido?
A resposta não tardou.
Não basta saber ou recordar quando falta a emoção.
Do lugar onde nasceu viu apenas uma cidade.
Sem afecto e estórias.
Da família herdada encontro-a pequena.
Sem a família escolhida, os amigos.
Do trabalho entendo-o como obrigação.
Algo que se faz sem sorriso.
E de tudo concluiu que o conhecimento renova-se, a memória também.
Logo perguntou: porquê tudo aparentar sem sentido?
A resposta não tardou.
Não basta saber ou recordar quando falta a emoção.
7
A emoção não se conquista, simplesmente existe.
A emoção não enriquece, simplesmente diferencia.
E ajuda a distinguir e escolher.
Na sua mente clarificou-se o pensamento.
O seu caminho, o novo caminho, não faria sentido sem emoção.
Parou imobilizando o passo e preferiu sentar.
Sentar para pensar.
E com o passar do tempo, simplesmente esperar que a emoção chegasse.
Agora uma certeza tinha.
A emoção é como o ar: não se vê, não se ouve, não se toca mas não se vive sem ela.
8
Sabia:
O conhecimento ajuda, a memória ensina.
A emoção singulariza. E une todas as partes do todo.
Permaneceu sentado à espera. Da chegada da emoção.
Que tardava, que tardou…
A emoção não chega por decreto. Apenas por sentimento.
E ninguém controla os sentimentos.
De tanto tardar, os dias foram passando.
Dia e noite, luz e sombra.
Mutações ora subtis ora bruscas. Nuances ou rupturas.
Mar de coisas nunca valorizadas, nunca reparadas.
E, na espera, foi percebendo:
Afinal o caminho não passa de um modo de ver…
Que se afunila com o tempo e com o medo.
Que nos faz perder o Bem que nos visita e não chega a entrar.
9
Sentado, esperava pela emoção.
Sentado, esperava pela emoção.
Tardou a perceber que chovia.
Pequenas gotas frescas e transparentes.
Sentiu-se bem.
E relembrou do quanto gostava da chuva para caminhar.
E do vento a bater no rosto enregelado que fixava o sorriso.
E da sensação livre de caminhar sem destino ou tempo. Apenas prazer.
E de pensar livremente nos seus momentos únicos de isolamento.
E de sonhar fantasiosamente quando a dura realidade pedia alguma magia.
E relembrou tanto prazer anónimo experimentado.
Nem sempre valorizado!
10
Rebobinou toda a sua vida.
Rebobinou toda a sua vida.
Pelo menos aquela que a mente alcança e suporta.
E reviveu fugazmente tantos destes momentos desvalorizados.
Envolto nos amores e Amor vividos, percebeu que não percebeu…
… O quanto feliz poderia ter sido.
Preocupado com os outros, esqueceu-se de si próprio.
E constatou.
Viver intensamente os momentos que são nossos não é egoísmo.
É também uma forma de ser feliz.
11
Reavivou a exigência (quem sabe) dialéctica dos seus amores.
Estes exigiam tempo e atenção. O centro do mundo.
Ele exigia-se capaz de todas as respostas. O suporte do mundo.
Para conquistar um sorriso, abdicou…
Para alcançar um carinho, dedicou-se…
Para não entristecer, recuou…
Para não magoar, aventurou-se…
Na certeza que só assim seria amado.
De tanto querer, julgou muito ter conquistado, tornado único e insubstituível.
Esqueceu-se da evidência.
Não se gosta verdadeiramente por aquilo que damos. Simplesmente por aquilo que somos.
12
Repetiu a pergunta “será que alguma vez fui amado?”
E voltou a repetir.
Fazendo desfilar na sua mente imagens atrás de imagens dos momentos vividos.
Até que parou quando, de olhos fixados no chão que pisa, encontrou uma simples folha branca.
Com uma frase escrita.
Nunca seremos amados se não nos amarmos a nós próprios.
E o amor próprio obriga-nos a ser quem somos.
Por inteiro!
E nunca o que querem que sejamos.
O primeiro é próprio de uma pessoa.
O segundo não passa de uma imagem.
Que se apaga quando a solidão chega.
E quando já não sabemos conviver com quem nos acompanha inevitavelmente:
Nós próprios!
13
Resgatou o papel do chão e dobrou-o.
Resgatou o papel do chão e dobrou-o.
Dobrou-o cuidadosamente para guardar no bolso do casaco.
Para reler sempre que quisesse.
E com medo.
Medo que a memória fosse curta. E se perdesse no primeiro amor encontrado.
Guardou.
E sentiu-se mais confortável. E robustecido.
Mas ainda sem vontade e forças para retomar caminho.
14
Sentia-se apatriado. Sem pátria ou destino.
Não porque faltasse caminho físico.
Esse estava ali, à sua frente.
Era só levantar e caminhar.
Mas porque ainda faltava a emoção, o condutor do coração.
Interrogou-se: o que fazer para chamar a emoção?
Sorrir? Saltar? Gritar? Suplicar?
Pensou horas a fio, tempo atrás de tempo.
Nada mais conseguiu do que uma simples evidência:
A emoção é o resultado da nossa aceitação.
Assim como somos!
E aceitou.
15
E ao aceitar, verificou que não tinha que partir.
E ao aceitar, verificou que não tinha que partir.
Mas sim voltar a partir. Ou repartir.
E sorriu.
Porque repartir também é partilhar.
Dividir por todos oferecendo o bom que temos sem contas ou condições.
E emocionou-se.
Porque se sentiu capaz de dar, com vontade de dar, com talento para dar…
Chorou.
E as suas lágrimas fizeram uma pequena poça de água aos seus pés.
Olhou e viu-se reflectido.
E gostou do que viu. Assim, despido e sem truques.
Descobriu-se a si próprio.
E sorriu.
Sentiu-se bem e fortalecido.
16
Tão fortalecido que se levantou.
Tão fortalecido que se levantou.
Com determinação e vontade.
Sobreviver é obrigatório.
Garantir que o corpo não dorme e a memória não se apaga.
Afinal, o que tinha feito.
Viver é necessário.
Alimentar o corpo, enriquecer o espírito.
O que descobria agora.
Conviver é felicidade.
Partilhar a vida com todos e consigo mesmo.
O que desejou ardentemente.
E sentiu-se firme. E emocionado.
E impelido. A voltar a partir.
Rasgou um sorriso.
E simplesmente retomou o seu caminho!
Fi
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Credo Missionário
1 - Cremos que Deus nos chamou e nos enviou a anunciar o Evangelho
de seu Filho a todos os pontos da terra.
2 – Cremos que todos os baptizados, membros da Igreja, são
missionários e missionárias por vocação.
3 – Cremos que a missão é a resposta ao plano de Deus, que no seu
imenso amor e vontade, quer que todos conheçam a Verdade.
4 – Cremos que a vontade de Deus é que todos acreditem em Jesus Cristo
Seu único Filho, se salvem e tenham a vida eterna.
5 – Cremos que podemos ser missionários sem sair da nossa aldeia ou
da cidade, pois o nosso país é terra de missão.
6 – Cremos que como seguidores de Cristo, devemos comportar-nos
de maneira firme e digna da vocação a que fomos chamados.
7 – Cremos que o mundo necessita de ver e sentir o nosso testemunho
de amor, de esperança e de alegria por sermos cristãos.
8 – Cremos que o Espírito Santo nos dará energia, vontade e imaginação
para lutar contra a corrente adversa e enfrentar perseguições.
9 – Cremos que os cristãos, tal como Jesus, são chamados a caminhar na
História ao lado de todos os que sofrem.
10 – Cremos que a Virgem Maria caminha connosco, transmitindo ao
nosso coração o que disse nas Bodas de Cana: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
(Arranjo de Artur Soares)
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Meta-carta a Deus (endereço desconhecido)
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando verei aquele de que tenho tanta sede? As lágrimas são o meu pão de dia e de noite, eu que todo o tempo ouço perguntar. - onde está o teu Deus? (SI 41, 1-4)
1. Quase já não escrevo cartas. Respondo a chamadas telefónicas; respondo, se não suspeito da fonte, aos chamados que me chegam do céu (electrónico). Escrever, até pela dificuldade que teriam os destinatários em decifrar os gatafunhos em que inconscientemente entrei, tornou-se raro. Há desvios e perdas de correio por culpa (minha) da letra. E aqui começa o problema: faz parte do destino da carta perder-se, extraviar-se. Há uma fórmula que adverte para esse extravio: atopos ho Théos.
Esta fórmula diz que nem o sagrado nem o numinoso são Deus. «Onde moras?», perguntam aqueles a quem a palavra é dirigida em primeiro lugar (Jo 1, 36) e que seguem aquele que não tem sequer uma pedra onde repousar a cabeça. Outro problema: o do destinatário. Acontece-nos escrever não sabendo se aquele a quem escrevemos ainda vive. F. Nietzsche traçou um primeiro prognóstico em 1886: «O acontecimento recente mais importante é este: Deus morreu.» E se mudou de morada, se não está disposto a responder-me? As cartas ao Pai Natal são de negócio e fingimento, não são cartas de amor. Deus vem de Deus, de graça, não vou por aí. Escrever só para pedir é mesquinho. Também não enviarei uma carta ao Javé ou ao Deus teológico (Jesus Cristo) de H. Bloom que, pelos vistos, nem sequer se conhecem. Sei, porém, que toda a escrita é uma prática do espaço (do desejo e da página em branco). Sei que "a linguagem se ouve mas que o pensamento se vê" (Agostinho di-lo no De Trinitate). A palavra cruza-se no espaço do que escreve, do que joga, do que vê. Sei que a Deus se vai com palavras, mesmo sabendo que o drama da interlocução se instalou entre os humanos e que o sentido (da língua) se pode tornar uma impostura. A teologia da de Deus, mas, ao mesmo tempo, fala de um Deus que fala aos humanos, supostamente capazes de lhe dar o seu assentimento, revelando-os a si mesmos a partir de um horizonte «não mundano», logorreico, da palavra. Lactâncio dizia que Deus, por ser um Deus vivo, está sempre em movimento, é capaz de adfectus, de paixão, e que é portanto capaz e amor e de cólera. Este é também o ponto de vista de Bernardo Soares: «Onde está Deus, mesmo que não exista?... um regaço para chorar, mas um regaço enorme sem forma, espaçoso, como uma noite de verão e contudo próximo, quente, feminino, ao pé de uma lareira qualquer... Poder ali chorar coisas impensáveis, falências que nem sei quais são, ternuras de coisas inexistentes, e grandes dúvidas arrepiadas de não sei que futuro... ». Um Deus feminino, à maneira de Juliana de Norwich é um Deus a quem mais facilmente se vai. Se, como afirma Tertuliano: «Nada é, se não é um corpo. Nada é incorpóreo.», Deus há-de ter um corpo, logo há-de ouvir, falar, sentir.
Os pressupostos para falar (escrever) parecem desanuviar-se.
2. Reconhece-se a palavra pelos seus efeitos no corpo. O Teu nome está escrito no meu corpo como memória e futuro. Começo, pois a escrever-Te, porque, ao contrário de Kierkegaard que Te pensava imutável, eu creio que a minha (fala) escrita Te move e Te comove. Ao Deus causa sui ninguém pode rezar nem dançar. Aos místicos é o indizível que lhes dá o poder de falar. E a entrar, tem de ser pela roda da enunciação: eu, aqui e agora, escrevo-Te. Escrevo-Te com o punhado de palavras que me habita para dizer o mais além de mim que passa também pela treva luminosa das palavras e pelo fascínio dos nascimentos novos. A palavra é, de raiz, messiânica. Escrevo porque espero O teu advento. Escrevo para celebrar o Teu Nome, ao desabrigo dos nomes. Contra a idolatria conceptual que Te congelou no tempo. Contra o velho e cínico humanismo e o seu sonho demiúrgico de em tudo dar ao homem um trono e um altar. Escrevo para afirmar, não apenas para dizer os limites da linguagem ou a besta imunda que evoca o teu Nome para matar e torturar e vigiar. Creio, sim, que o nome que melhor Te convém continua a ser este: Amor.
Ou este outro: Misericórdia. Nunca Te vi, Deus abscondítus, apenas Te pressinto no olhar aflito ou alegre dos passantes. Apenas te pressinto na palavra, que é um vivo. Ou na pujança que move o mundo. Sim, o olhar transporta. O sentido é transpositivo. A palavra é legião: sei que não falo no deserto, alucinado e estéril. O magnificat é a forma mais jubilosa de ver o mundo como um milagre, de assistir à primavera, aos nascimentos e até às despedidas. Creio que Tu és o Verbo que se fez carne em Jesus e que habitou entre nós (Jo 1, 14). Porque não sei falar (escrever-Te) só queria mostrar as feridas das palavras varridas pela areia dos dias com que Te escrevo. Espero que, chegando à Páscoa, chegarei à palavra plena. Vou deixar de querer ver-Te: o Teu olhar me basta. Para os amantes, escrever foi sempre dizer: "Vem"! Que outra coisa poderia eu querer, escrevendo-Te?
Nasceu para o Céu a 5 de Maio 2011.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Deolinda - que parva que eu sou!
Deolinda - Parva que sou
Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Afinal, Senhora Ministra, quem mente e quem manipula?
É pena que quem governa não tenha antes sujado as mãos na vida, nem comido pão amassado em suor e lágrimas. Ou, no poleiro do poder, depressa tenha esquecido a mão que o ajudou e a escola privada que lhe abriu caminho.
O problema das escolas privadas gratuitas merece ser reflectido por todo o país. A arbitrariedade do Governo PS que, a meio do ano, denuncia, unilateralmente, um acordo bilateral, mostra, no mínimo, a falta de respeito por quem luta, com seriedade, a favor do que é fundamental na sociedade, a educação escolar. Um dado ilustrativo de que o problema, agora na praça pública, pouco tem a ver com a crise económica, é saber quanto custam ao Estado as escolas estatais e as escolas privadas com contrato de associação com ensino gratuito. Pedi há tempos ao governo que nos dissesse isso mesmo, com dados exactos e verdadeiros. Nada, porque o governo só responde à Assembleia da República. Cidadão não tem que perguntar, apenas que pagar.
De repente, a Ministra da Educação e os seus zelosos colaboradores desatam a dizer que as escolas privadas ficam mais caras ao Estado que as escolas estatais. E aventam números e percentagens para apoiar as suas afirmações. Simplesmente, estes números são vergonhosamente manipuladas, porque os dados apreciados não são os mesmos. Ora vejamos: as escolas privadas, do que recebem do Estado, e só do Estado, pagam ordenados, fazem a manutenção diária, conservam os edifícios, assumem os encargos sociais… Se os alunos vêm de fora do concelho o transporte toca aos pais. A Ministra apenas faz contas ao que é mandado para as escolas estatais e que corresponde a pouco mais que os ordenados. Tudo o resto, e é muitíssimo, não entra nas suas contas Nem os encargos sociais, nem a manutenção e conservação dos edifícios, nem transportes dos alunos, que estes recaem nas autarquias. Mas mais ainda. O Ministério Estado recorre a uma empresa pública, a “Parque Escolar”, a esta paga todos os meses, em relação a muitas escolas, uma renda de ocupação, à média de 2 euros por metro quadrado. Isto quer dizer que o governo socialista, detesta as escolas privadas, mas está privatizando as escolas do Estado, passando-as para empresas públicas, apoiadas por capitais privados, ligados à Banca. Os encargos sociais nada têm a ver com as escolas estatais, porque estas não são empresas que tenham de responder, mensalmente, na parte que diz respeito à entidade patronal. Mais uma verba que não entra nas contas que a Ministra apresenta ao país, mas que é um encargo do Ministério, ou lá de quem quer que seja. A conclusão é óbvia: tudo isto corresponde a um encargo do Estado, muito acima daquele que tem com as escolas privadas, que decidiu para já tornar inviáveis e ir matando, por via de uma criminosa asfixia. Agora Intimidando as mesmas escolas, a ministra ameaça e, pelos seus serviços vem fazendo que algumas, já sem saber o que fazer com este estrangulamento e incapazes de responder a encargos presentes, acabem por aceitar pressionadas, as condições do Ministério, sob a ameaça incrível de ou “assinas ou perdes tudo”. Esta foi sempre a forma de dialogar e de respeitar dos regimes totalitários e dos ditadores.
Edificaram-se, há pouco, escolas onde não havia necessidade delas, como se fossemos um país rico que pode esbanjar o dinheiro do povo, necessário para responder a problemas graves não resolvidos; desrespeitam-se um direito primordial dos pais; despreza-se, um contributo válido e concreto que vem qualificando a educação e o ensino; menosprezam-se experiências avalizadas; deixa-se que, a pretexto da crise económica, que se repitam erros lamentáveis do passado, fazendo assim o jeito aos jacobinos de 2011… Um autêntico desgoverno de um governo acossado pelos disparates cometidos e a virem aí ao de cima, em catadupa. A Ministra da Educação, de cabeça perdida, porque o chefe assim manda, atreve-se a dizer ao país, usando todos os meios, coisas impensáveis, que não diria uma qualquer pessoa sensata, respeitadora das pessoas e das instituições, e conhecedora da realidade. E que diz ela mais? “Que o Estado não tem que pagar nem luxos, nem privilégios, nem piscinas, nem campos de golfe e de equitação!…” Não sei quantas escolas privadas, com contrato de associação, conhece a senhora ministra com este estendal a significar, como diz, luxos e privilégios.
Procure saber, é o mínimo decente, as escolas onde existem tais equipamentos, quem os fez e os paga, qual seu alcance educativo, se são propostas da escola a favor dos alunos e da família, e não atire pó aos olhos de ninguém, porque já ninguém de juízo suporta tais aleivosias. Isto chama-se demagogia. Sabe como e porque as escolas que quer calar e fechar, procuram fazer sempre mais e melhor pelos alunos, mormente em zonas mais pobres? Não sabe, porque, se soubesse, não dizia o que disse. Pois, faz-se poupando e administrando bem o que, por direito, se recebe, sem sacrificar o essencial; concorrendo a programas de apoio de cá e de fora; promovendo o voluntariado dos pais, dos professores e das comunidades locais; realizando com os pais iniciativas diversas na comunidade circundante. É evidente que as escolas estatais não precisam de fazer nada disto. O Estado patrão paga e, se ele não paga, não há nada para ninguém. Ou, então e não raro, as escolas estatais recorrem ao favor das privadas próximas… A Ministra ainda não percebeu a justa indignação dos mal tratados e dos injustiçados, mormente dos pais, dos alunos, dos professores, porque nunca passou por isso. É pena que quem governa não tenha antes sujado as mãos na vida, nem comido pão amassado em suor e lágrimas. Ou, no poleiro do poder, depressa tenha esquecido a mão que o ajudou e a escola privada que lhe abriu caminho.
Depois, vêm as afirmações usuais que denunciam a pobreza da democracia que aí temos, e são a prova de que é real a opção pela ditadura: o Estado responde a tudo, as escolas privadas são supletivas, os pais se querem luxos, então paguem-nos…” Diálogo, respeito, reconhecimento de trabalho feito e de serviço prestado às comunidades? Mas que é isso? Os alunos interrompem projectos, mudam de professores com o ano em curso, distribuem-se pelas escolas estatais, mesmo que sejam fora do concelho e longe das suas terras? Não há problema. O Estado Social (!) encarrega-se de tudo e, então, paga tudo. Já se viu maior loucura? Não há dúvida que somos ainda mais pobres do que julgamos. Os governantes devem ser modelos de vida, de educação, de respeito pelas pessoas e instituições e pela verdade que devem ao país. Não é isso que se vê hoje em muitos casos, mormente quando não têm razão no que decidem, nem dignidade para reconhecer que a não têm.
Acompanho, de há muito, com atenção e cuidado, os problemas da educação, da escola, da família, do país. Luto por esta causa por fidelidade às pessoas e aos princípios e valores que nos devem nortear e dignificar. Nunca esperei que passados mais de trinta anos de democracia, nos quedassem num patamar, tão pobre e infeliz. Mas não podemos cruzar os braços, nem desistir. A razão não é a da força do poder. A mediocridade beneficia sempre das omissões e das desistências, quando outro mérito não há para poder progredir com verdade e governar com justiça.
Carta Aberta de António Marcelino, bispo emérito de Aveiro
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Mais de 1000!
Pela primeira vez, este blogue já teve mais de 1000 visitas num mês. E Outubro ainda não acabou.
Continuemos a caminhar...
Continuemos a caminhar...
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)



