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sábado, 4 de janeiro de 2014

A Força do Símbolo



A liturgia, como ação eminentemente simbólica que é, educa sobretudo pela força do símbolo. Este, ao conectar com o mais profundo de cada pessoa, é um instrumento pedagógico fantástico para promover a conversão a Jesus Cristo, desde que nos deixemos transformar por aquelas realidades que são símbolos da ação salvífica de Deus realizada por Jesus Cristo, sob a ação do Espírito Santo.
Os símbolos, como realidades polissémicas que são, precisam de ser “guiados” na sua compreensão, para que não nos fiquemos na dispersão de significados. Por isso, «cada celebração sacramental é um encontro dos filhos de Deus com o seu Pai, em Cristo e no Espírito Santo. Tal encontro exprime-se como um diálogo, através de ações e de palavras. Sem dúvida, as ações simbólicas são já, só por si, uma linguagem. Mas é preciso que a Palavra de Deus e a resposta da fé acompanhem e deem vida a estas ações, para que a semente do Reino produza os seus frutos em terra boa. As ações litúrgicas significam o que a Palavra de Deus exprime: ao mesmo tempo, a iniciativa gratuita de Deus e a resposta de fé do seu povo» (CCE 1153).
Uma celebração sacramental é, então, tecida de sinais e de símbolos. Segundo a pedagogia divina da salvação, a sua significação radica na obra da criação e na cultura humana, determina-se nos acontecimentos da Antiga Aliança e revela-se plenamente na pessoa e na obra de Cristo.



Sinais do mundo dos homens. Os símbolos ocupam um lugar importante na vida humana. Sendo a pessoa humana um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades espirituais através de sinais e símbolos materiais. Como ser social, a pessoa tem necessidade de símbolos para comunicar com o seu semelhante através da linguagem, dos gestos e de ações. O mesmo acontece nas suas relações com Deus.
Deus fala-nos através da criação visível. O cosmos material apresenta-se à inteligência do homem para que leia nele os traços do seu Criador. A luz e a noite, o vento e o fogo, a água e a terra, a árvore e os frutos, tudo fala de Deus e simboliza, ao mesmo tempo, a sua grandeza e a sua proximidade.
Enquanto criaturas, estas realidades sensíveis podem tornar-se o lugar de expressão da ação de Deus que santifica os homens e da ação dos homens que prestam a Deus o seu culto. O mesmo acontece com os sinais e símbolos da vida social: lavar e ungir, partir o pão e beber do mesmo copo podem exprimir a presença santificante de Deus e a gratidão da criatura para com o seu Criador.
As grandes religiões da humanidade dão testemunho, muitas vezes de modo impressionante, deste sentido cósmico e simbólico dos ritos religiosos. A liturgia da Igreja pressupõe, integra e santifica elementos da criação e da cultura humana, conferindo-lhes a dignidade de sinais da graça, da nova criação em Cristo Jesus.

Sinais da Aliança. povo eleito recebe de Deus sinais e símbolos distintivos, que marcam a sua vida litúrgica: já não são unicamente celebrações de ciclos cósmicos e práticas sociais, mas sinais da Aliança, símbolos das proezas operadas por Deus em favor do seu povo. Entre estes sinais litúrgicos da Antiga Aliança, podem citar-se a circuncisão, a unção e a sagração dos reis e dos sacerdotes, a imposição das mãos, os sacrifícios e sobretudo a Páscoa. A Igreja vê nestes sinais uma prefiguração dos sacramentos da Nova Aliança.

Sinais assumidos por Cristo. Na sua pregação, o Senhor Jesus serve-Se muitas vezes dos sinais da criação para dar a conhecer os mistérios do Reino de Deus. Realiza as suas curas ou sublinha a sua pregação com sinais materiais ou gestos simbólicos. Dá um sentido novo aos factos e sinais da Antiga Aliança, sobretudo ao Êxodo e à Páscoa, porque Ele próprio é o sentido de todos esses sinais.

Sinais sacramentais. Depois do Pentecostes, é através dos sinais sacramentais da sua Igreja que o Espírito Santo opera a santificação. Os sacramentos da Igreja não vêm abolir, mas purificar e assumir, toda a riqueza dos sinais e símbolos do cosmos e da vida social. Além disso, realizam os tipos e figuras da Antiga Aliança, significam e realizam a salvação operada por Cristo, e prefiguram e antecipam a glória do céu.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Jesus fez-se História

Pelo mistério da Incarnação, Jesus inseriu-se numa história e num contexto cultural bem definido. Neste sentido, não foi diferente de nenhum de nós. Todos estamos ligados a uma terra, um credo e uma família. E a nossa vida é muitas vezes moldada pelo ambiente circundante em que vivemos. As nossas acções são reflexo do ambiente cultural e cultual em que estamos inseridos.
Jesus, o Filho de Deus, foi construindo o seu “álbum de memórias” ao longo de 33 anos que teve como pano de fundo várias terras da Judeia e da Galileia. De entre as várias localidades poderíamos destacar Belém, Jerusalém e Nazaré. Isto porque Jesus nasceu na Palestina, em Belém; viveu em Nazaré e percorreu todo o território da Galileia à Judeia. Acabou por ser crucificado às portas de Jerusalém, numa pequena colina chamada Calvário (ou Gólgota em aramaico).

Belém é um território da palestina sob o regime israelita e significa precisamente “a casa do pão”. Vem como que lembrar a história do povo de Israel que foi obrigado a partir de sobressalto, apenas levando o pão ázimo. O pão era o principal alimento de Israel, e por isso quando um judeu queria agradecer a Deus pelo alimento, levava o pão até ao templo.
Nazaré era, naquela altura, uma pequena aldeia com pouca importância, ao ponto de se afirmar: “de Nazaré pode vir alguma coisa boa?” (Jo 1, 46). Se, por um lado, isto era verdade, pelo outro, em termos messiânicos, adquiriu bastante valor. Esta era a povoação onde viviam os descendentes da família do rei David, entre os quais se inclui José e Maria. Foi aqui que Maria o Anjo interpelou Maria e ela glorificou o Senhor (Jo 1, 46-56); é também em Nazaré que a Sagrada Família se instala e Jesus passa grande parte da sua vida.
Em termos políticos e religiosos importa ter noções, ainda que breves. Quanto às classes sociais sabemos, pelo Novo Testamento, que seriam quatro: alta classe (onde se inclui os comerciantes, os escribas, doutores da lei e sumos sacerdotes); média classe (seriam os pequenos comerciantes, funcionários do estado, os publicanos, os escribas e os fariseus); classe pobre (os pastores, assalariados… o povo em geral); classe marginalizada (seriam essencialmente os pobres, viúvas, órfãos e doentes. Naquela altura, todos os que se encontravam nesta situação não pertenciam à sociedade e não tinham quaisquer direitos. Daí a preferências das primeiras comunidades por esta classe social (cf. Tg 1, 25)).
Em termos religiosos havia cinco grupos religiosos: fariseus (que se consideravam os santos e puros, guardiães da verdadeira fé cristã); saduceus (eram conservadores e acreditavam na ressurreição. (Mt 22, 23)); essénios (eram monges eremitas que viviam nas grutas de Qumram, junto ao Mar Morto); samaritanos (grupo separado dos judeus e que viviam em constante confronto com eles); zelotas (eram um dos vários grupos de resistência política contra os romanos).
Foi nestas circunstâncias que Jesus viveu a sua vida: rodeado de tensões tanto ao nível político como ao nível religioso. Viveu ainda num clima de expectativa, de ansiedade pela vinda do salvador que iria libertar o povo de Israel do domínio romano. Foi por isso que quando Cristo falou do Reino, muito entenderam num sentido político e não em termos escatológicos. Apesar de tudo, Jesus soube inculturar-se e não pretendeu fugir do mundo, mas antes comprometer-se com ele e apresentá-lo a Deus.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Jesus Cristo é o Senhor

Olhando para a nossa realidade circundante, verificamos que as crianças experimentaram um contacto diversificado com a pessoa de Jesus. A imagem que têm Dele foi acompanhando o seu próprio crescimento e foi-se transformando: no princípio, Jesus era o “melhor amigo”, depois foi introduzido como o Filho de Deus. Agora, deve nascer a consciência que Jesus é o Senhor. Ele foi Homem como nós, excepto no pecado, e inaugurou um novo reino de felicidade e salvação. Esse reino perpetua-se através da Igreja e renova-se diariamente em todos nós. Cristo é, portanto, o “Senhor” e Senhor da nossa vida. Mas, o que significa ser o “Senhor”?
No Antigo Testamento, Deus revelou-se a Moisés por “Eu sou Aquele que sou” (Ex 3, 14), ao que os Gregos traduziram por Kyrios, ou seja, “Senhor”. Por esta altura os reis governavam engrandecidos pelo seu nome. Era como que o seu passaporte e espelhava a sua missão. Deus, enquanto rei de Israel, apresentou-se como o Senhor. No Novo Testamento, Jesus é reconhecido como sendo o próprio Deus, logo Ele é Senhor.
Sabemos, pelos evangelhos, que várias pessoas se aproximaram de Jesus invocando este título cristológico. Pretendem exprimir o “respeito e a confiança dos que se achegam a Jesus e esperam dele ajuda e cura” (CCE 448). Reconhecendo a acção salvífica e taumatúrgica de Cristo (o Ungido) mais não podem senão exclamar: “É o Senhor” (Jo 21, 7).


O mesmo convite é lançado a todos nós: reconhecer que Jesus Cristo é o Senhor! Percorrer este caminho implica, portanto, uma confissão de fé (apenas possível pela acção do Espírito Santo) onde O aceitamos como Filho de Deus e O temos como centro da nossa vida. Por sua vez, esta confissão comporta um modo de vida muito particular: a opção fundamental por Cristo. Diz o Evangelho que “ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro” (Mt 6, 24). O mesmo é dizer que apenas devemos submeter a nossa liberdade a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo e a mais ninguém: seja o dinheiro, fama ou outras paixões (cf. CCE 450).
Por fim, não podemos deixar de mencionar que qualquer oração cristã e, em especial, a Eucaristia são constantes hinos ao senhorio de Jesus. Nelas convidamos à oração através de “o Senhor esteja convosco” e terminamos “por nosso Senhor Jesus Cristo”. No acto penitencial, por exemplo, clamamos: “Kyrie, eleison”, ou seja, “Senhor, tende piedade de nós”. É o reconhecimento de que Jesus é o centro de toda a vida cristã.

sábado, 14 de setembro de 2013

A Liturgia na educação da Fé

A Igreja, através da sua ação profética, procura anunciar a Palavra de Deus, não como uma teoria que há que aprender, mas como uma realidade que se experimenta. Dito de outra forma, ao anúncio da Palavra corresponde o devido acompanhamento que quem a recebe, para que possa dar o livre assentimento da fé. O Concílio Ecuménico Vaticano II, na Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina di-lo deste modo: «A Deus que revela é devida a “obediência da fé”; pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus oferecendo “a Deus revelador o obséquio pleno da inteligência e da vontade” e prestando voluntário assentimento à Sua revelação» (DV 5). 



Este facto coloca à educação da fé algumas questões que importa ter presente:
A primeira tem a ver com a evidência de que a educação acontece pela “obediência”, ou seja, pela escuta da Palavra. Esta não é um mero aglomerado de letras ou sons, mas uma Pessoa, Jesus Cristo. Escutar a Palavra é aceitar estar em intimidade com Jesus Cristo, deixando-se transformar pelo que Ele diz e faz. Mas quais são as palavras e os gestos que nos transformam? Aqueles que são realizados pelas pessoas por quem temos algum afeto, que amamos! A inteligência deixa-se iluminar pelo Amor e a vontade quer fazer aquilo desejamos, porque O amamos.
A segunda questões a ter presente tem a ver com o modo como se educa o afeto. Não me refiro às simples emoções, mas sim ao afeto como dimensão da pessoa que nos faz querer e desejar algo. O afeto educa-se pela familiaridade: aprendemos a amar com o contacto assíduo e gozoso! Então, como havemos de educar o afeto para que se aprenda a amar Cristo? Pelo convívio assíduo com Ele, ali onde Ele está real e sacramentalmente presente, na Liturgia, sobretudo eucarística, pois «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estou no meio deles» (Mt 18, 20). A Liturgia desempenha, então, um papel central na educação da fé, pois é ela que permite que alguém se deixe enamorar por Cristo, ver a Sua beleza e querer aderir a ele.
Chegamos então ao terceiro aspeto, o da liberdade. Esta nunca pode ser violentada nem ignorada, até porque a fé é a adesão com que cada pessoa se entrega a Deus... As palavras e ensinamentos serão “preceitos” distantes e frios, se não forem as palavras de Alguém que se dá a conhecer por amor. E o que é frio e distante não promove a adesão, antes afastamento e até desafeição. Os valores evangélicos que se procuram ajudar a descobrir na educação da fé também não serão acolhidos se antes não houver um adesão afetiva com Cristo e o desejo de querer segui-Lo. Logo, a liberdade para aderir a Cristo promove-se e educa-se na ação litúrgica.


Concluindo, se a catequese deve educar para a participação litúrgica, deve também deixar-se educar pela liturgia. Aqui, a primazia é de Deus, não dos homens, os frutos surgem, não do mero empenho humano, mas da iniciativa divina que atua em cada pessoa. Porque «para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte a Deus o coração, abre os olhos do entendimento, e dá “a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade”. Para que a compreensão da revelação seja sempre mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé mediante os seus dons» (DV 5).

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A Catequese na missão da Igreja

Num contexto cultural cada vez mais exigente para a proposta de fé, a catequese assume, gradualmente, uma função missionária. Com efeito, tendo a catequese a missão de anunciar a Palavra de Deus, a fim de despertar a fé nos catequizandos, verifica-se, no entanto, que estes se encontram cada vez menos predispostos para responder ao anúncio do Evangelho.

Assim, a transmissão da Mensagem de Deus, que outrora passava quase espontaneamente de pais para filhos, perdeu no ambiente social e cultural o seu suporte. A catequese assume, cada vez mais, a função de despertar a fé, converter os batizados que não conhecem ou não vivem o cristianismo, levar o evangelho aos afastados. Daí que, já na Exortação Apostólica Christifideles laici, João Paulo II chame a atenção para a necessidade de uma nova evangelização: «Chegou a hora de empreender uma nova evangelização. […] Esta nova evangelização […] destina-se a formar comunidades eclesiais amadurecidas, isto é, comunidades em que a fé se liberte e realize todo o seu significado original de adesão à pessoa de Cristo e ao seu Evangelho […] A Igreja deve, hoje, dar um grande passo em frente na sua evangelização, deve entrar numa nova etapa histórica do seu dinamismo missionário» (ChL 34-35). De facto, a evangelização, cuja finalidade é a de anunciar o Evangelho e dar testemunho dele em todos os momentos, é a missão e a razão de ser da Igreja: «Evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade» (EN 14). Ela existe para tornar presente a experiência de Jesus Cristo e a sua mensagem de salvação, de modo que todo o homem possa descobrir em Jesus o caminho para a verdade.


Podemos, assim, entender a catequese como um momento fundamental do processo evangelizador, uma vez que é graças a ela que o primeiro anúncio da Boa Nova é pouco a pouco aprofundado, desenvolvido, explicado e orientado para a prática cristã. Para tal, é indispensável que a catequese se centre na pessoa de Jesus Cristo e no Seu mistério de Salvação, apresentando-o como Boa Nova, fonte de esperança e de sentido para a vida humana. «Muitos baptizados vivem como se Cristo não existisse … o desafio […] consiste […] em levar os baptizados a converterem-se a Cristo e ao seu evangelho» (EE 47) Deste modo, a catequese deve convidar o batizado a uma atitude de conversão ao Senhor e ao compromisso com o testemunho do Evangelho no mundo, num processo de solidificação e amadurecimento da fé. A catequese é, então, o momento “fundamental” e “prioritário” de evangelização pois lança as bases que podem dar solidez à vida cristã futura (cf. CGD 63-64) dos batizados, conduzindo-os a uma participação ativa na comunidade cristã. Com efeito, toda a atividade catequética tem em vista a inserção do catequizando na vida da Comunidade. O importante, para um cristão, não é saber mais do Evangelho, mas sim dar um testemunho fiel e firme do Evangelho em todos os momentos da sua vida.