terça-feira, 2 de junho de 2015

Vida Religiosa, imagem da Igreja


Só a partir da Pessoa e da palavra de Cristo é que a vida religiosa pode ser compreendida e ter algum sentido perceptível. Com o anúncio e a presença do Reino de Deus cria-se uma nova situação, irrompe uma novidade no mundo, que dá origem à compreensão de um novo estilo de vida, uma nova forma de habitar o mundo ao estilo de Cristo. A vida religiosa é a manifestação permanente e social da vitalidade intrínseca da Igreja, da sua força em Cristo e da consumação dos bens do Reino esperado.
 É  expectável que cada cristão adira a Deus, pela comunhão de fé, não sem o seu quê de dramático em algumas situações, o que torna perceptível que o que fundamenta a fé não é uma doutrina, mas uma Pessoa. Logo, o fundamento e a razão de ser da vida consagrada não são as instituições nem as missões, mas uma Pessoa: Jesus Cristo.

É a partir de Jesus Cristo que se pode tentar compreender a vida religiosa, tudo o mais é inútil. É por isso que os consagrados, na sua entrega total e definitiva a Deus, são sinal. Não porque vivam de maneira diferente, mas porque são diferentes porque vivem de Jesus, a partir d’Ele, num amor pobre, casto e obediente. Como a Igreja também o chamada a viver.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Uma Quaresma que prepara a Páscoa

Os tempos hodiernos oferecem uma mutação no âmbito dos símbolos. Surgem novas ideias e, com elas, novos sentimentos entraram em jogo. Uma instituição não evolui porque os seus membros envelheçam, mas sim porque as relações mútuas entre eles se alteram. As relações são a chave da mudança. Urge, portanto, encontrar maneiras de nos reencantarmos com aqueles que connosco caminham. É nesta conversão contínua, como resposta aos estímulos quaresmais, que reside a capacidade de subsistência cristã; a adequação aos apelos de Deus é a bóia que nos permite flutuar no meio do caudal agitado, símbolo de um contexto de elevada transitoriedade e apego ao rentável e eficaz em detrimento, muitas vezes, do verdadeiro e honesto.
Só a valorização da identidade consegue fazer face à complexidade. Aqui reside um dos grandes desafios da Quaresma: é que é preciso lutar sem desfalecimento contra a inação, contra o obscurantismo e contra a arrogância. À fé cristã pede-se que saiba articular-se com os outros pontos de vista, de modo a que se possa traçar o rumo mais adequado a cada momento, em cada circunstância da interação com a realidade. O mal não está simplesmente em haver pessoas que não acreditam em Deus, mas sim em haver pessoas que acreditam tanto nEle que não deixam espaço para a procurar « a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da relação entre ambas»(GS 4).