Depois de
se poder constatar que um indivíduo totalmente autónomo, fechado sobre a sua razão,
não existe, é uma ilusão não podemos cair no erro de ficar encerrados na
radical imanência do horizonte último de
toda a crença.
A
transcendência liberta! A possibilidade de sermos interpelados de forma
absoluta, com a constituição de uma certeza fundamental, ou uma base sobre a
qual se possa construir todas as outras dimensões, é posta de parte por muitos
contemporâneos. É certo que a transcendência, porque transcende, só pode ser
apreendida por cada pessoa no aqui e agora da sua história, por isso limitado e
incompleto. Mas é parte integrante do crente a aceitação dessa finitude, que
nos determina como seres de acolhimento e não como donos e senhores da
realidade.
O
processo crente, e os crentes, precisam de integrar a hermenêutica— que situa o crer numa tradição, numa cultura e na
finitude do processo histórico-cultural do ser humano; e a metafísica — que não limite o crer ao horizonte cultural, antes o
percebe em relação com o excesso que o habita por dentro.
Só
assim, nesta recepção, é que nos realizamos como seres livres, que recebemos o
Dom como sentido e o atualizamos no modo de crer, porque sabemos, agimos e
esperamos para além do aqui e agora.

