«As ciências progridem na medida em que adquirem novas verdades, como fruto da criatividade reflexiva de fundamentação ou investigação de causas. Não basta pois 'vulgarizar' o que outros encontraram; exige-se uma contribuição pessoal que traga qualquer coisa de 'novo': factos, ideias, hipóteses, argumentos, conclusões»(P.e Júlio Fragata SJ). [Um blogue sobre Teologia Prática, Catequética, b-Learning e o que for surgindo...]
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Dom bosco: um mestre para a qualidade cristã
Neste início do século XXI, duas questões sérias se colocam
à Igreja, como um todo, e a cada cristão individualmente. A primeira é como
propor a vida bela e boa do Evangelho àqueles que ainda não o encontraram. A
segunda é perceber como viver hoje ao estilo de Jesus com elevada qualidade. A
história mostrou bem como S. João Bosco tem propostas interessantes para as
duas questões. Neste texto vamos ver a actualidade de Dom Bosco para a segunda
pergunta: como podemos hoje viver uma vida cristã de alta qualidade, isto é,
como viver hoje em santidade?
Muita gente ainda se sente satisfeita com um cristianismo
“mais ou menos”, feito de serviços mínimos. Alguns porque ainda não descobriram
a força transformadora do Espírito de Jesus Ressuscitado. Outros porque não
sabem como crescer na fé. A ideia de uma vida santa, em que todos os aspectos
da vida estão tocados pelo Evangelho parece-lhes atraente mas… impossível,
difícil, reservada só para uma elite.
Dom Bosco não se resignou a esta situação. Recolhendo o
melhor da tradição da Igreja, ele criou uma proposta espiritual acessível a
todos que leva realmente à santidade. Eis aqui algumas das suas intuições.
A vida cristã deve ser vivida no quotidiano. Não é um parêntesis. Não somos cristãos quando estamos
na missa ou quando nos recolhemos em oração. A vida do dia a dia, o trabalho, o
tempo livre, o desemprego, a doença… são os lugares onde Deus está connosco e
onde somos convidados a viver felizes na sua companhia.
Vivemos a fé com alegria
e optimismo. Não temos os olhos fechados, sabemos bem como este mundo está
difícil. Mas sem ingenuidade procuramos viver cada acontecimento da vida com
alegria e optimismo. Será possível? Sim, porque nos apoiamos na força de Jesus
ressuscitado e na presença do seu Espírito de amor entre nós.
No centro de tudo está uma forte relação de amizade e intimidade com o Senhor Jesus.
Ele é a imagem perfeita do Pai. E também a imagem perfeita do ser humano que
pretendemos ser.
Toda esta experiência é feita com forte sentido de comunhão eclesial. Vivemos numa Igreja
que se diz de variadas formas: dioceses, paróquias, movimentos, grupos,
famílias… A experiência da fé ajudou-nos a superar o individualismo de hoje e
leva-nos a uma forte comunhão. Apesar das diferenças, sentimos que estamos
unidos numa mesma Igreja.
Outra intuição genial de Dom Bosco é o apelo a uma atitude
de serviço responsável. Cada um com
os seus talentos, todos somos chamados a construir esta Igreja de Cristo e a
transformar este mundo de acordo com o sonho de Deus.
Rui Alberto, sdb
sábado, 4 de janeiro de 2014
A Força do Símbolo
A liturgia, como ação
eminentemente simbólica que é, educa sobretudo pela força do símbolo. Este, ao
conectar com o mais profundo de cada pessoa, é um instrumento pedagógico
fantástico para promover a conversão a Jesus Cristo, desde que nos deixemos
transformar por aquelas realidades que são símbolos da ação salvífica de Deus
realizada por Jesus Cristo, sob a ação do Espírito Santo.
Os símbolos, como
realidades polissémicas que são, precisam de ser “guiados” na sua compreensão,
para que não nos fiquemos na dispersão de significados. Por isso, «cada celebração
sacramental é um encontro dos filhos de Deus com o seu Pai, em Cristo e no
Espírito Santo. Tal encontro exprime-se como um diálogo, através de ações e de
palavras. Sem dúvida, as ações simbólicas são já, só por si, uma linguagem. Mas
é preciso que a Palavra de Deus e a resposta da fé acompanhem e deem vida a
estas ações, para que a semente do Reino produza os seus frutos em terra boa.
As ações litúrgicas significam o que a Palavra de Deus exprime: ao mesmo tempo,
a iniciativa gratuita de Deus e a resposta de fé do seu povo» (CCE 1153).
Uma celebração sacramental é, então, tecida de sinais
e de símbolos. Segundo a pedagogia divina da salvação, a sua significação
radica na obra da criação e na cultura humana, determina-se nos acontecimentos
da Antiga Aliança e revela-se plenamente na pessoa e na obra de Cristo.
Sinais do mundo dos homens. Os
símbolos ocupam um lugar importante na vida humana. Sendo a pessoa humana um
ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades
espirituais através de sinais e símbolos materiais. Como ser social, a pessoa
tem necessidade de símbolos para comunicar com o seu semelhante através da linguagem,
dos gestos e de ações. O mesmo acontece nas suas relações com Deus.
Deus fala-nos através da criação visível. O cosmos
material apresenta-se à inteligência do homem para que leia nele os traços do
seu Criador. A luz e a noite, o vento e o fogo, a água e a terra, a árvore e os
frutos, tudo fala de Deus e simboliza, ao mesmo tempo, a sua grandeza e a sua
proximidade.
Enquanto criaturas, estas realidades sensíveis podem
tornar-se o lugar de expressão da ação de Deus que santifica os homens e da
ação dos homens que prestam a Deus o seu culto. O mesmo acontece com os sinais
e símbolos da vida social: lavar e ungir, partir o pão e beber do mesmo copo
podem exprimir a presença santificante de Deus e a gratidão da criatura para
com o seu Criador.
As grandes religiões da humanidade dão testemunho,
muitas vezes de modo impressionante, deste sentido cósmico e simbólico dos
ritos religiosos. A liturgia da Igreja pressupõe, integra e santifica elementos
da criação e da cultura humana, conferindo-lhes a dignidade de sinais da graça,
da nova criação em Cristo Jesus.
Sinais da Aliança. O povo eleito recebe de Deus sinais e símbolos
distintivos, que marcam a sua vida litúrgica: já não são unicamente celebrações
de ciclos cósmicos e práticas sociais, mas sinais da Aliança, símbolos das
proezas operadas por Deus em favor do seu povo. Entre estes sinais litúrgicos
da Antiga Aliança, podem citar-se a circuncisão, a unção e a sagração dos reis
e dos sacerdotes, a imposição das mãos, os sacrifícios e sobretudo a Páscoa. A
Igreja vê nestes sinais uma prefiguração dos sacramentos da Nova Aliança.
Sinais assumidos por Cristo. Na
sua pregação, o Senhor Jesus serve-Se muitas vezes dos sinais da criação para
dar a conhecer os mistérios do Reino de Deus. Realiza as suas curas ou sublinha
a sua pregação com sinais materiais ou gestos simbólicos. Dá um sentido novo
aos factos e sinais da Antiga Aliança, sobretudo ao Êxodo e à Páscoa, porque
Ele próprio é o sentido de todos esses sinais.
Sinais sacramentais. Depois do Pentecostes, é através dos sinais sacramentais da sua Igreja que o Espírito Santo opera a santificação. Os sacramentos da Igreja não vêm abolir, mas purificar e assumir, toda a riqueza dos sinais e símbolos do cosmos e da vida social. Além disso, realizam os tipos e figuras da Antiga Aliança, significam e realizam a salvação operada por Cristo, e prefiguram e antecipam a glória do céu.
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