domingo, 28 de abril de 2013

Expressão Artística


Abrindo-se à iniciativa de Deus, sabemos que a fé é um dom; um acto de adesão e entrega de todo o crente ao Senhor Jesus. No entanto, para que este dom de Deus seja despertado e estimulado, é necessário que haja uma abertura humana à entrega livre e total a Deus.
Aqui reside a importância de toda a caminhada catequética. Na verdade, a catequese, como serviço à Palavra de Deus, é o meio privilegiado para despertar no catequizando uma resposta de fé viva, explícita e actuante, levando-o, não só a um contacto, mas a uma comunhão e intimidade com Jesus Cristo (CT 5). Nesse sentido, entende-se que a catequese não possa ser vista como um simples ensino. Sendo a fé um dom, esta não pode ser simplemente ensinada, transmitida, mas sim suscitada, em ordem a uma resposta de fé, como consentimento e compromisso.

Para que tal aconteça, é imprescindível que o catequista, enquanto educador que acompanha o amadurecimento da fé no catequizando, esteja consciente da relevância da sua missão de porta-voz da fé da Igreja, num mundo em constante mudança, marcado pela indiferença religiosa, bem como pelo crescente desinteresse dos catequizandos pela educação da fé. Assim, de forma a comunicar a mensagem de Deus, de que é, ele próprio, testemunha, o catequista deve promover uma pedagogia personalizada, dinâmica e activa, através do uso de metodologias diversificadas, de modo a que o catequizando tenha, ao longo do seu processo de crescimento na fé, um papel interveniente, activo e crítico, motivando-os através de situações de ensino/aprendizagem diferenciadas e motivadoras.
Em boa verdade, sem centrar a transmissão do conhecimento numa única metodologia, assente, muitas vezes, em discursos ou exposições teóricas, o catequista poderá, recorrer, a um conjunto diversificado de técnicas e métodos de ensino, os quais poderão contribuir para que a criança se consciencialize, paulatinamente, da presença de Deus e da fé na sua caminhada de vida.
Para que as mensagens evangélicas se apresentem como algo novo e original para os nossos jovens, é importante que o catequista promova novas formas de comunicação da fé, que promovam no catequizando um responder criativo, assim como uma adesão pessoal e livre à Palavra divina.
Mais do que o recurso ao livro, a Igreja necessita, hoje, de novas formas de exprimir a fé. Assim sendo, acreditamos que a presença da educação artística (a educação pela música, pelo desenho, pela pintura, pela poesia, pelo jogo, pela expressão corporal, pela expressão dramática, pela escultura, etc.) nas sessões de catequese poderá ser um instrumento usado pelo catequista para cultivar, no catequizando, essa possibilidade de abertura à fé, despertando-o para um itinerário de fé cada vez mais comprometido e consciente. Não nos esqueçamos que os nossos jovens são, hoje, particularmente sensíveis a uma linguagem que fala, não apenas à razão, mas, sobretudo, à sensibilidade, à emoção, à afectividade, à imaginação, ou seja, à pessoa no seu todo.
O catequista poderá, assim, partir da visualização de uma escultura, de um poema, de uma tela, para despertar no catequizando todo um conjunto de sensações e de emoções que o irão ajudar a reflectir e a aprofundar a sua fé. Mais do que comunicar a Palavra, estas dinâmicas devem ser vistas como um estímulo, de forma a facilitar o processo dinâmico da Palavra de Deus.
Deste modo, urge compreender que, mais do que intelectual, a catequese tem de ser cada vez mais dinâmica, lúdica e festiva, que responda às expectativas dos nossos jovens. Ao dedicar tempo da sua catequese a estas actividades, o catequista está a ajudar os catequizandos a ler a sua vida à luz do Evangelho.  
Desta forma, acreditamos que a arte, como linguagem expressiva, fomenta novas formas de expressão e de comunicação mais motivadoras, livres e participadas entre o catequista e o catequizando, favorecendo a criatividade, a partilha de saberes, a participação e o encontro com o outro e contribuindo, pois, para enriquecer a expressão de fé de um grupo, que procura afirmar-se na sua experiência cristã.     
É importante perceber que o catequizando, se não se sentir envolvido e motivado nas actividades que desenvolve, não interioriza o que está a ser transmitido. Assim sendo, mais do que ensinar, a missão do catequista é comprometer o catequizando nas actividades, animá-lo, motivá-lo e comprometê-lo no seu processo de aprendizagem. 

1 comentário:

  1. Não há dúvida que é preciso renovar os processos catequéticos mais comuns entre nós. «Mais do que ensinar, a missão do catequista é comprometer o catequizando». Uma catequese dominada pela dinâmica escolar, quer quanto aos métodos, quer quanto ao tempos, tem de deixar de ser a prioridade. Outro aspeto importante referido nesta reflexão é a necessidade de valorizar o estético e o afetivo no processo catequético.

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