quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Cristão Adulto III

Vida em Cristo, espiritualidade teologal

A maturidade cristã implica que cada cristão possua uma comunhão íntima com Cristo, levando-o a expressar o amor salvífico de Deus.
Este objectivo é alcançado através de um vida espiritual profunda, sendo a vida espiritual o desenvolvimento da vida de Deus em cada pessoa criada, amada e salva por Deus. O progresso espiritual encaminha para uma mais íntima união com Cristo. Desta união relacional brota a compreensão das virtudes teologais.
As virtudes humanas, as qualidades de cada pessoa, radicam nas virtudes teologais, que adaptam as faculdades do ser humano à participação na natureza divina. De facto, “as virtudes teologais referem-se directamente a Deus e dispõem os cristãos para viverem em relação com a Santíssima Trindade. Têm Deus Uno e Trino por origem, motivo e objecto”(CCE 1812).
As virtudes teologais são infundidas por Deus nos seus fiéis, para que sejam capazes de proceder como filhos de Deus. São “o penhor da presença e da acção do Espírito Santo nas faculdades do ser humano”(CCE 1813).


A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele disse e revelou, e que a Igreja transmite(Cf CCE 1814). A fé é alimentada quotidianamente com o Evangelho e“é garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que não se vêem. Foi por ela que os antigos foram aprovados”(Hb 11, 1-2). Por isso, mesmo que a fé comporte uma atitude de procura humilde e corajosa, fundamenta-se na Palavra de Deus que não se engana e é sobre esta rocha firme que edificamos a Igreja. Cada cristão possui, então, certezas simples e sólidas que hão-de ajudar a procurar um cada vez maior conhecimento do Senhor.
Deus mostra a Sua fidelidade porque cumpre sempre a Sua Palavra, mesmo quando há oposição ou indiferença; tem confiança no homem, no Seu povo e acredita nas suas possibilidades; e ama o Seu povo com amor de esposo, sempre fiel. É este acreditar no Deus fiel que dá segurança a o cristão, mesmo no meio das dificuldades e incompreensões.

Esperança
A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos Céus e a vida eterna como nossa felicidade, por isso pomos toda a nossa confiança nas promessas de Cristo, apoiados não nas forças humanas, mas na acção do Espírito Santo(Cf CCE 1817).
O cristão vê com esperança a acção de anunciar a Palavra de Deus, sabendo que “o Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Quer esteja a dormir, quer se levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como”(Mc 4, 26-27). A esperança, como virtude teologal, fundamenta-se apenas em Deus e na Sua Palavra. É um dom do Espírito Santo: “Que o Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança, pela força do Espírito Santo”(Rm 15,13).

Caridade

A caridade é a virtude teologal que torna o cristão capaz de amar a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus(Cf CCE 1822). A caridade orienta-se sempre para Deus, dando-O a conhecer aos irmãos.
A caridade, o amor a Deus e, nele, aos irmãos, não é mais do que a resposta Àquele que nos amou primeiro. “O amor de Deus manifestou-se desta forma no meio de nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida. É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados. Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros”(1Jo 4,9-11). Em Cristo ficámos a conhecer o amor de Deus, como é, e n’Ele somos convidados e viver de acordo com esse amor. A caridade cristã é, então, um dom do Pai, que se manifesta especialmente na solidariedade(cf Flp 2,1-11) e no serviço aos demais, nomeadamente aos pobres e abandonados.
Ora, esta virtude, a caridade, precisa de ser continuamente alimentada pela vida de comunhão com o Senhor, o que se consegue através da oração e da liturgia sacramental. Os sacramentos, e em especial a Eucaristia, “comunicam e alimentam aquele amor para com Deus e para com os homens”(LG 33).

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