segunda-feira, 6 de junho de 2005

Algumas sombras

No nosso ambiente da catequese podemos encontrar, juntamente com muitos sucessos e experiências gratificantes, um certo mal-estar que se evidencia nos seguintes fenómenos:
- A catequese, que devia ser de iniciação cristã, não inicia. A conclusão da celebração dos sacramentos de iniciação cristã é vista, por muitos adolescentes e jovens, como o fim da vida cristã. O processo de iniciação converteu-se em «conclusão» da vida cristã!;
- A catequese, apesar de se realizar também com jovens e adultos (e há várias experiências dessas) ainda é vista como uma coisa de crianças, infantil e infantilizante;
- A catequese também é vista como escola, com a mera preocupação da transmissão de conteúdos cognitivos, ignorando a totalidade da pessoa. A catequese não «toca» os corações, não é significativa.
- A catequese, que deve de ser missionária, vive quase exclusivamente daqueles que se «inscrevem», é incapaz de se propor em âmbitos a-cristãos.

2 comentários:

  1. É bem verdade que todos esses fenómenos existem no mundo da nossa catequese. Na minha opinião também não pode ser esquecido o desinteresse dos pais, no que respeita à educação cristã. A catequese é vista como mais uma oupação para as crianças, e a responsabilidade de os ensinar e educar na fé é, para muitos, toda dos catequistas? Porquê? Não foram os pais que prometeram "aceitá-los e educa-los cristãmente? Claro que pensando assim, muitos pais não conseguem cativar as crianças e os envolver na vivência do amor de Deus.

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  2. O Luís não faz propriamente uma análise. Faz um retrato da situação. Claro que ao ler este retrato alguns (acho que poucos) dirão os costumeiros "não será tanto assim"...
    A maioria olhará para o lado a ver se "a coisa passa por si mesma".
    Mas se tivermos a coragem de ver a realidade com a lucidez que o luís propôs, aparece logo uma questão que nos implica a todos: que fazer para alterar a situação?
    Não me interessa perder tempo com os "suspeitos do costume": os pais, os catecismos, a falta de preparação dos catequistas, o desinteresse dos catequizandos...
    Interessa-me muito mais encontrar pontos de viragem do que bodes expiatórios.
    Um dos pontos para virar a situação não será a superação desta atitude de marasmo que está presentes em tantos responsáveis pela catequese? Um sentimento de desalento, uma falta de entusiasmo que impede a busca de excelência?

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